Como calcular o turnover e descobrir quanto a rotatividade está custando para sua empresa?
As fórmulas mais usadas pelo RH, um exemplo resolvido passo a passo e como transformar o número em ação.
- Turnover é a taxa de rotatividade: quantas pessoas saíram e entraram em relação ao quadro médio do período.
- A fórmula mais simples é desligamentos ÷ efetivo médio × 100. A fórmula geral usa a média entre admissões e desligamentos.
- O número sozinho diz pouco. Separe por tipo de saída, área, líder e tempo de casa, e compare com o histórico da própria empresa.
Turnover, ou rotatividade de pessoal, mede o movimento de entrada e saída de pessoas numa empresa durante um período. É um dos indicadores que mais contam sobre clima, liderança e qualidade da contratação. Cada saída tem custos que nem sempre aparecem juntos: rescisão, recrutamento, integração, o tempo até a nova pessoa render e o conhecimento que vai embora.
As saídas se dividem em dois tipos. No turnover voluntário, a pessoa pede demissão. No involuntário, a empresa decide desligar, por desempenho, reestruturação ou corte de custos. Os dois pedem leituras diferentes, por isso vale calcular separado.
As 3 fórmulas que o RH mais usa
O efetivo médio é a média entre o número de pessoas no início e no fim do período. Para um cálculo anual mais preciso, some o efetivo de cada mês e divida por 12. Escolha uma fórmula e mantenha a mesma ao longo do tempo. Trocar de fórmula no meio do caminho faz o indicador subir ou cair sem que nada tenha mudado na empresa.
Como calcular o turnover em 5 passos
Para mostrar cada passo, vamos usar uma empresa fictícia. Os números do exemplo são ilustrativos e servem só para mostrar a conta.
Defina o período e quem entra na conta
Use o mês para acompanhar e o ano para comparar. Decida também se estagiários, aprendizes e temporários entram. Transferências entre áreas não contam como saída da empresa. Registre essas regras para que a conta seja sempre igual.
Levante os quatro números
Efetivo no início, efetivo no fim, admissões e desligamentos do período. Para cada desligamento, anote o tipo (pedido de demissão ou decisão da empresa), a área, o líder e a data de admissão.
Exemplo ilustrativo: a empresa começou o ano com 200 pessoas, admitiu 30, desligou 18 e terminou com 212. Dos 18 desligamentos, 12 foram pedidos de demissão.
Calcule o efetivo médio
Some o efetivo do início e o do fim e divida por dois.
No exemplo: (200 + 212) ÷ 2 = 206 pessoas.
Aplique as fórmulas
Com o efetivo médio em mãos, aplique a fórmula escolhida. Calcule também o turnover voluntário e o dos primeiros 90 dias. Os resultados do exemplo estão na tabela logo abaixo.
Abra o número por área, líder e tempo de casa
A média da empresa esconde onde está o problema. Refaça a conta por área, por líder e por faixa de tempo de casa. Uma área com turnover voluntário bem acima das outras, ou muitas saídas antes de 90 dias, mostra onde olhar primeiro.
| Conta | Resultado | |
|---|---|---|
| Turnover geral | ((30 + 18) ÷ 2) ÷ 206 × 100 | 11,7% |
| Turnover de saídas | 18 ÷ 206 × 100 | 8,7% |
| Turnover voluntário | 12 ÷ 206 × 100 | 5,8% |
| Primeiros 90 dias | 4 saídas entre os 30 admitidos: 4 ÷ 30 × 100 | 13,3% |
Exemplo ilustrativo, com números fictícios.
Como ler o resultado
Não existe um turnover ideal que sirva para qualquer empresa. Setor, região, tipo de cargo e momento do negócio mudam muito o número. A comparação mais útil é com o histórico da própria empresa e entre áreas parecidas.
- Tendência. O indicador subiu ou caiu nos últimos 12 meses?
- Tipo de saída. O aumento veio de pedidos de demissão ou de desligamentos pela empresa?
- Concentração. As saídas se repetem numa área, com um líder ou numa faixa de tempo de casa?
- Quem saiu. Perder pessoas de alto desempenho pesa mais que o número total. A matriz nine box ajuda a enxergar quem a empresa não pode perder.
Sobre comparar com o mercado: desconfie de médias de turnover sem fonte, metodologia e data. Se quiser uma referência externa, o Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, publica admissões e desligamentos por setor e região. Mesmo assim, a conta oficial pode ser diferente da que a sua empresa usa.
O que fazer com o número
O cálculo só vale a pena se virar ação. Quatro frentes costumam fazer diferença.
- Entrevista de desligamento. Uma conversa com roteiro fixo, conduzida por alguém fora da linha direta de liderança, num tom de conversa e não de interrogatório. Quando várias pessoas apontam o mesmo motivo, você achou a prioridade.
- Liderança. Se as saídas voluntárias se concentram em algumas equipes, olhe para a gestão dessas equipes. Feedback, reconhecimento e conversas difíceis se aprendem. Veja as opções de treinamento de liderança para empresas.
- Crescimento. Quem não enxerga futuro na empresa procura fora. Plano de desenvolvimento, mentoria e trilhas de aprendizagem mostram o caminho. Um catálogo de cursos para empresas ajuda a montar essas trilhas sem produzir tudo do zero.
- Seleção e integração. Saídas antes de 90 dias apontam para vaga mal descrita, seleção apressada ou integração fraca. O post sobre onboarding digital mostra como estruturar as primeiras semanas.
Defina uma meta para o indicador, um responsável por frente e uma data para recalcular. Se uma das ações for treinamento, meça o efeito com o modelo de Kirkpatrick para resultados de treinamento.
Calcule o turnover por área em meia hora
As fórmulas explicadas, o exemplo resolvido, uma tabela para preencher por área e um roteiro de entrevista de desligamento com 8 perguntas.
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