Técnicas de criatividade: como tirar sua equipe do "sempre fizemos assim"?
Do brainwriting à matriz de impacto e esforço, técnicas para tirar o grupo da primeira ideia e sair da reunião com algo para testar.
- Criatividade no trabalho se treina com técnica, tempo e um ambiente em que errar não pesa.
- Separe o momento de gerar ideias do momento de escolher. Misturar os dois trava o grupo.
- As 8 técnicas abaixo cabem em 8 a 30 minutos e funcionam no presencial e no on-line.
Muita reunião de chuva de ideias termina com as mesmas três sugestões de sempre, quase todas de quem fala mais alto. A criatividade do grupo existe. Faltam regras e tempo para ela aparecer. Técnicas simples dão a vez a todos, tiram o grupo da primeira ideia e ajudam a escolher o que testar.
Abrir, analisar e fechar
O publicitário Alex Osborn, que popularizou o brainstorming nos anos 1950, já defendia separar a geração de ideias da avaliação. As técnicas abaixo seguem essa lógica.
8 técnicas de criatividade para reuniões e treinamentos
Brainstorming com regras
Escreva o problema como pergunta e leia as regras antes de começar: adiar o julgamento, buscar quantidade, aceitar ideias ousadas e construir sobre a ideia do outro. Quem conduz não opina, só protege as regras. Funciona bem em 15 a 20 minutos.
Brainwriting 6-3-5
Seis pessoas escrevem três ideias cada em cinco minutos e passam a folha para o lado. A cada rodada, partem das ideias anteriores. Em seis rodadas o grupo pode chegar a 108 ideias, e quem fala pouco em reunião tem o mesmo espaço que os outros.
Para treinar: no on-line, use um documento compartilhado por pessoa e um cronômetro visível para todos.
SCAMPER
Uma lista de perguntas para melhorar algo que já existe: Substituir, Combinar, Adaptar, Modificar, Propor outros usos, Eliminar e Reorganizar. Aplicada ao onboarding, a letra E pergunta o que dá para tirar da primeira semana sem prejuízo para quem chega.
Inversão
Quando as ideias normais acabam, inverta o problema: "como garantir que o cliente desista da compra?". O grupo lista as piores ideias e depois escreve o oposto de cada uma. Vale marcar as piores ideias que já acontecem hoje sem ninguém perceber.
Crazy 8
Cada pessoa dobra uma folha em oito partes e esboça uma ideia por quadro, um minuto para cada. A pressão do tempo tira o grupo da solução óbvia. Desenho tosco vale, e palavras soltas também.
Seis chapéus do pensamento
Método criado por Edward de Bono. Todo o grupo usa o mesmo chapéu ao mesmo tempo: branco para fatos, vermelho para emoções, preto para riscos, amarelo para benefícios, verde para alternativas e azul para conduzir. Ajuda quando a mesma pessoa sempre faz o papel de crítica.
Como poderíamos...?
Antes de buscar soluções, transforme a queixa em pergunta. "Os líderes não aplicam o treinamento" vira "como poderíamos ajudar o líder a praticar com o time na semana seguinte?". A técnica é muito usada no design thinking e direciona o resto da sessão.
Votação e matriz de impacto e esforço
Para fechar, agrupe as ideias parecidas, dê três votos a cada pessoa e coloque as mais votadas numa matriz de impacto e esforço. Comece pelo que tem alto impacto e baixo esforço, sempre com dono e prazo. Se a causa do problema ainda não está clara, use antes o diagrama de Ishikawa.
Uma sessão de 60 minutos: abertura e regras (5 minutos), Como poderíamos (10), brainwriting ou Crazy 8 (20), agrupamento das ideias (10) e votação com a matriz (15). Num treinamento, use um problema real da área. O grupo aprende a técnica e sai com uma ideia para testar.
Para o facilitador: o maior inimigo da sessão é a crítica que chega cedo demais. Se alguém disser "isso nunca vai funcionar" na fase de abrir, anote a frase num canto do quadro e prometa voltar a ela na hora de escolher. A pessoa é ouvida e o grupo continua gerando ideias.
Como desenvolver a criatividade na equipe
- Segurança para errar. Ideias diferentes só aparecem quando ninguém é ridicularizado. O líder dá o exemplo ao propor a primeira ideia imperfeita.
- Pausa e movimento. Um estudo de Marily Oppezzo e Daniel Schwartz, da Universidade Stanford, publicado em 2014, encontrou mais respostas criativas em testes de pensamento divergente quando as pessoas caminhavam do que quando estavam sentadas. Uma conversa andando vale o teste.
- Perfis diferentes na sala. Áreas, idades e experiências variadas trazem repertórios diferentes para o mesmo problema.
- Prática frequente. Uma técnica por reunião mensal ensina mais que um dia inteiro de oficina.
- Avaliar antes de decidir. Criatividade e pensamento crítico andam juntos. O primeiro abre opções, o segundo testa se elas param em pé.
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