NR-1 e GRO: sua empresa já gerencia os riscos ocupacionais do jeito que a norma pede?
A NR-1 é a norma do Ministério do Trabalho com as regras gerais de segurança e saúde para toda empresa com empregados CLT. Ela pede o GRO, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais: um trabalho contínuo para encontrar o que pode machucar ou adoecer quem trabalha, medir esse risco e agir. Desde 26 de maio de 2026, a norma diz com todas as letras que o GRO inclui os riscos psicossociais, aqueles que vêm da forma como o trabalho é organizado.
Pense assim: a NR-1 pede que a empresa cuide dos riscos do trabalho de forma organizada e contínua. O GRO é esse cuidado em movimento: olhar o trabalho, encontrar o que pode fazer mal, decidir o que é mais urgente e agir. Depois, conferir se deu certo e recomeçar.
Na prática, o GRO aparece de formas diferentes. Num galpão, ele pode apontar o risco de queda na escada do mezanino. Num call center, pode mostrar que as metas apertadas estão desgastando a equipe. Uma empresa que leva o GRO a sério revisa isso com frequência, enquanto outra guarda o documento na gaveta e esquece.
Para a empresa, um bom gerenciamento de riscos evita acidentes, afastamentos e surpresas numa fiscalização. Ele também dá um caminho claro para incluir a saúde mental no mesmo cuidado. As próximas seções mostram o que a norma pede em cada etapa.
Segunda-feira, reunião de diretoria. Alguém pergunta: “Nosso PGR já inclui os riscos psicossociais?”. A técnica de segurança sabe que o documento existe. O RH não sabe onde ele fica, e ninguém lembra quando foi revisado.
Se a cena parece familiar, este post é para você. Você vai entender o que é o GRO, o que a NR-1 pede em cada etapa e como saber se a sua empresa está no caminho. E vai sair com um próximo passo simples para esta semana.
O que é o GRO e como ele se liga ao PGR
Pense no GRO como uma rotina de cuidado. Você olha o trabalho, encontra o que pode fazer mal às pessoas, mede o tamanho do problema e age. Depois confere se funcionou e recomeça.
Numa fábrica, isso pode ser o ruído de uma prensa. Num escritório, pode ser uma fila de chamados que nunca acaba. Os dois são riscos ocupacionais, ou seja, riscos que nascem do trabalho.
Todo esse cuidado precisa ficar registrado. É aí que entra o PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos. Ele é o documento que mostra o que a empresa encontrou e o que vai fazer.
GRO
A rotina contínua de identificar, avaliar, controlar e acompanhar os riscos.PGR
O programa por escrito, datado e assinado, que registra essa rotina.Inventário de riscos
A lista organizada dos riscos: o que é, onde está, quem está exposto e qual o tamanho.Plano de ação
O que será feito para cada risco, por quem, até quando e como medir o resultado.A norma pede que o PGR tenha, no mínimo, o inventário e o plano de ação (item 1.5.7.1). Esses documentos devem ficar disponíveis para os trabalhadores, os sindicatos e a fiscalização. Na prática, isso significa que o PGR não pode morar numa gaveta trancada.
O que mudou em 2026
Em 2024, a Portaria MTE nº 1.419 reescreveu a parte da NR-1 sobre gerenciamento de riscos. Uma segunda portaria, a nº 765/2025, adiou o início para 26 de maio de 2026. Desde essa data, o item 1.5.3.1.4 lista os fatores de risco psicossociais entre os riscos que o GRO deve cobrir.
Fatores psicossociais são condições como sobrecarga, metas impossíveis, falta de autonomia e assédio. O Ministério do Trabalho publicou no gov.br um guia sobre o tema. Ele explica que a obrigação de cuidar de todos os riscos já existia e que o texto novo só deixou isso explícito. Para conhecer esses fatores, leia riscos psicossociais na NR-1.
E é aqui que muita empresa tropeça. Ela tem um PGR completo para ruído e produtos químicos, mas nenhuma linha sobre a forma como o trabalho é organizado. As etapas abaixo mostram como fechar essa lacuna.
As 6 etapas que a norma pede
O item 1.5.3.2 da NR-1 lista o que a empresa deve fazer. Traduzindo para o dia a dia, são seis movimentos, nesta ordem.
Evitar ou eliminar o perigo
Antes de medir, veja o que dá para tirar do caminho. Se um processo novo vai exigir plantão sem escala, redesenhe a escala antes de começar.
Identificar o perigo e quem está exposto
Descreva o perigo, de onde ele vem e qual grupo de pessoas enfrenta isso. Por exemplo: sobrecarga, causada por metas diárias sem limite, na equipe de televendas. Os métodos para fazer essa escuta estão em como mapear riscos psicossociais.
Dica: olhe o trabalho que as pessoas fazem de verdade. A descrição do cargo costuma esconder o que mais pesa.
Avaliar o tamanho do risco
O nível de risco junta duas perguntas. Quão grave pode ser o dano? Qual a chance de ele acontecer? A empresa deixa por escrito os critérios que usa para responder.
Classificar e priorizar
A classificação mostra onde agir primeiro. Quanto mais pessoas atingidas, maior a prioridade.
Agir na ordem certa
A NR-1 manda primeiro eliminar o risco, depois proteger o grupo, depois mudar a organização do trabalho e, por último, usar equipamento de proteção individual. Nos riscos psicossociais, quase tudo acontece na organização do trabalho: metas, prazos, escalas, número de pessoas. O passo a passo está em plano de ação para riscos psicossociais.
Acompanhar e corrigir
Confira se a ação aconteceu, se continua e se funcionou. Se não funcionou, a norma pede que você corrija.
Dica: escolha poucos indicadores por área, como afastamentos e horas extras. O checklist NR-1 ajuda a revisar o ciclo.
Exemplo prático: Numa rede de lojas fictícia, a gerente Renata percebe que, em dezembro, os vendedores pulam o almoço para dar conta do movimento. No GRO, isso vira uma linha no inventário: sobrecarga no fim de ano, equipe de vendas. No plano de ação, entram escala reforçada, pausas protegidas e uma pessoa responsável por conferir as pausas toda semana.
Uma regra atravessa as seis etapas: ouvir quem trabalha. O item 1.5.3.3 pede que a empresa explique o básico do GRO aos trabalhadores, pergunte como eles percebem os riscos e conte o que foi encontrado. Para ouvir, a empresa pode usar a CIPA, a comissão de empregados e representantes da empresa que cuida da prevenção de acidentes e de assédio.
GRO funcionando ou PGR de gaveta?
Como saber se a sua empresa faz GRO de verdade ou só tem um papel bonito? Compare as duas colunas e veja de que lado você está.
| PGR de gaveta | GRO funcionando | |
|---|---|---|
| Inventário | Cópia do ano anterior, igual para todos os setores | Atualizado por setor, com o trabalho real e os riscos psicossociais |
| Plano de ação | Lista de intenções sem data | Cada medida com responsável, prazo e indicador |
| Participação | Trabalhadores só assinam que leram | Pessoas ouvidas e informadas do resultado |
| Revisão | Só quando vence o prazo | Também depois de mudanças, acidentes ou pedido da CIPA |
| Treinamento | Palestra anual sem ligação com os riscos | Ações que respondem a riscos do inventário |
Quando revisar? A NR-1 pede revisão a cada dois anos. Mas antes disso você revisa sempre que algo importante mudar: uma reestruturação, um sistema novo, um acidente, uma doença ligada ao trabalho ou um pedido justificado da CIPA (item 1.5.4.4.6).
E as empresas pequenas? O MEI não precisa fazer PGR. Microempresas e empresas de pequeno porte de grau de risco 1 e 2, sem exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, também podem ficar dispensadas (item 1.8.4). Mesmo assim, o guia do Ministério do Trabalho lembra que elas continuam obrigadas a fazer a avaliação ergonômica preliminar da NR-17, incluindo os riscos psicossociais.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de profissionais de segurança e saúde no trabalho, de saúde mental ou do jurídico da empresa. Treinamento é uma medida preventiva e, sozinho, não garante conformidade com a NR-1. Se alguém estiver em crise, procure ajuda profissional e indique o CVV, que atende pelo telefone 188, com ligação gratuita, 24 horas por dia.
Perguntas frequentes
GRO e PGR são a mesma coisa?
Não. O GRO é o trabalho contínuo de encontrar e controlar riscos. O PGR é o documento que registra esse trabalho, com o inventário de riscos e o plano de ação.
Quem deve fazer o PGR?
A NR-1 não define uma profissão específica. A responsabilidade é da empresa, que escolhe pessoas com conhecimento técnico para isso. Em geral, a equipe de segurança no trabalho conduz, com apoio do RH e dos gestores.
Toda empresa tem riscos psicossociais para registrar?
Não necessariamente. O guia do Ministério do Trabalho explica que eles podem aparecer ou não, como acontece com produtos químicos. O que a norma pede é que você verifique e registre o resultado.
O governo indica algum questionário pronto?
Não. O guia do Ministério do Trabalho diz que a empresa escolhe a ferramenta junto com os profissionais de segurança e saúde no trabalho. Ela precisa ter base científica e servir para o risco que está sendo avaliado.
De quanto em quanto tempo revisar a avaliação de riscos?
A cada dois anos. E antes disso sempre que algo importante mudar, como uma reestruturação, um acidente, uma doença ligada ao trabalho ou um pedido justificado da CIPA. Empresas com certificação em sistema de gestão de segurança e saúde podem ter até três anos.
Seu próximo passo nesta semana
Peça o PGR atual à equipe de segurança no trabalho e procure uma coisa só: existe alguma linha sobre sobrecarga, metas, autonomia ou assédio? Se não existir, marque uma conversa de 30 minutos para combinar como incluir. O checklist abaixo serve de roteiro para essa conversa.
Confira cada etapa do GRO
Checklist das etapas do GRO para conferir com a equipe de segurança no trabalho: identificar perigos, avaliar riscos, montar o plano de ação, acompanhar e registrar.
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